quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

SUFISMO - I - (Textos/1) - Palestras - Contos - Conhecimentos - Sabedoria

A IMPORTÂNCIA DO EQUILÍBRIO NA BUSCA ESPIRITUAL 


Texto extraído de uma palestra de Sheykh Nazim Al-Haqqani na Alemanha.
Shaykh Nazim Adil Al Haqqani
Shaykh Nazim Adil al Haqqani

Disponibilizado no site espanhol da Ordem Naqshbandi. 

Texto incluído no Livro Oceanos de Misericórdia. 

Material recolhido por volta do ano de 2002. 

Tradução livre para o português por Abd. At-Tawwab (Naqshbandi de São Lourenço – MG).
   
Sheykh Nazim Al-Haqqani: Por favor sentem-se comodamente, já que nossa reunião não é um sala de aula. 

Este não é um colégio, vocês não são estudantes e eu não sou um professor. 

Eu só peço ser um estudante. 

Todos deveriam ver se a si mesmos como estudantes, não importa o conhecimento que hajam adquirido, já que um verdadeiro estudante quando alcança um horizonte de conhecimentos, um outro horizonte lhe aparece mais adiante. 

Quando um novo horizonte aparece, esqueço-me do horizonte já adquirido, e me esforço por alcançar o novo horizonte vislumbrado. 

Desta forma, a viagem pessoal continua até um conhecimento mais brilhante, mais precioso e é por isso que continuo querendo ser um estudante. 

Não imaginem que os horizontes do conhecimento estão confinados àqueles que o alcançaram. 

Tudo o que foi falado e escrito, pertence ao horizonte agora visível para nós, mas na medida que avançamos até ele, novos horizontes mais brilhantes vão se abrindo. 

As pessoas sedentas de conhecimento geralmente estão ocupadas buscando aprender dos livros, mas tudo o que foi escrito pertence ao horizonte já aparecido. 

Os livros foram escritos por seres humanos como nós, que alcançaram níveis de conhecimento que nós podemos ultrapassar. 

Não existe barreira para ninguém para alcançar novos horizontes de conhecimento. 

Se os americanos mandaram muitos foguetes ao espaço, eventualmente os alemães também podem mandar tantos mais, não existe nada que os impeça já que o espaço é infinito. 

O único requerido para mandar foguetes a destinos distantes é ter o conhecimento científico e autoridade necessária para construir e controlar os foguetes. 

Desta forma, o “espaço do conhecimento” é livre para todos.   

Se vocês pudessem ser foguetes, poderiam ir mais e mais longe e obter um absoluto benefício de sua viagem. 

O que é necessário para alcançar o espaço do conhecimento espiritual?

Agora somos foguetes aguardando na rampa de lançamento, que alguém venha e aperte os botões para a decolagem. 

Creio que todos nós aqui presentes estamos esperando por essa pessoa.

Vocês devem estar cientes de tudo o que está envolvido como requisito para que haja uma decolagem exitosa. 

Não imaginem que um técnico apertará um botão e vocês decolarão.

Vocês devem saber que cada componente do foguete deve ter sido instalado com precisão, e deve ter sido checado e novamente checado, antes do técnico ser autorizado a apertar o botão. 

Se não se tomam as precauções necessárias, o foguete pode explodir ainda na rampa de lançamento; ou poderá decolar, mas em pouco tempo cairá e explodirá. 

No caso de nosso foguete, o trabalho de checagem e rechecagem é de total importância, já que o risco de apertar o botão é muito grande; a todo mundo se dá uma chance durante sua vida de alcançar ao conhecimento divino. 

Portanto, devem estar atentos para aproveitar a combinação de circunstâncias necessárias e da pessoa correta para realizar sua decolagem. 

Não sejam apressados, nem permitam que a oportunidade lhes escape.

Não dê o controle a uma pessoa que não conheçam nem entendam o que são e quem são, ou seus foguetes serão destruídos antes de haverem deixado a terra. 

Vocês que estão presentes nessa reunião vem buscando algo mais que o prazeres materiais. 

Vocês, alemães, já alcançaram um nível de conforto material invejado por muita gente no mundo e mesmo com este conforto, estão buscando algo mais significativo. 

Vocês correram para os prazeres materiais como um rio corre para o mar.

Agora chegaram ao mar e estão se perguntando como cruzá-lo. 

Para atravessar esse mar vocês devem ser sinceros, sua sinceridade lhes proverá o meio para navegar. 

E só essa sinceridade impedirá que sejam vítimas de gente não honorável que queiram enganá-los vendendo tickets de barcos não existentes. 

Não é uma viagem simples, nem um caminho fácil. 

Agradeço aos nossos amigos presentes por haverem se convertido em buscadores da verdade, por haverem embarcado na busca do entendimento e por sua boa vontade para realizar algo para alcançar o entendimento. 

O que estou dizendo é uma verdade que vem se agitando em seu coração por um longo tempo, mas se não houvessem colocado em palavras, não teriam sido capazes de esclarecê-la ou compreendê-la. 

Este centro sufi é um local de reunião e em todo tempo as pessoas vem e vão. 

Vocês, para que vieram? 

O que estão buscando? 

E quando se forem, o que levarão com vocês de sua estadia? 

Devemos ser sinceros quando nos perguntamos sobre esses pontos.

Melhor que dizer que as pessoas vem aqui por uns dias, tomam o conhecimento e seguem seus caminhos, devo ser honesto e dizer como se pode ver através de meus olhos: O que vejo é que frequentar esse lugar é para nós apenas como um pic-nic, para nossos corpos físicos e nada mais.

Já que até agora aqui nada aconteceu que arrebate nossas almas. 

Mas suas idas e vindas não foram em vão, já que por debaixo dessa superfície descansa um cimento sobre o qual poderão construir. 

Eu tenho necessidade, tanto quanto vocês de abastecer meu conhecimento e poder espiritual. 

Ontem, por exemplo, desde que deixamos Londres, até chegarmos aqui, tivemos que parar cinco ou seis vezes em postos de serviço para completar nosso tanque de combustível. 

Ainda que eu tenha alcançado algo que vocês ainda não alcançaram, eu sempre estarei com necessidade de mais emanações divinas (Fuyudat), e eu sempre luto para alcançar níveis mais altos, para que essa vertente possa passar através de mim, para os servidores de meu Senhor em diferentes níveis. 

Vocês devem escutar, concentrar-se e guardar minha palavras cuidadosamente, já que fui aqui mandado pelas estações do poder Divino para essa reunião de hoje. 

Não é do meu costume preparar um palestra para vocês: as palavras que digo, jamais as escrevo e não são premeditadas. 

Uma vez que as pessoas estão aqui, as palavras vem a mim de acordo com a necessidade das pessoas. 

Eu não sei nada. 

Sou só como uma rádio que vocês escolhem para escutar uma estação de rádio. 

Às pessoas, não lhes parece estranho poder mudar a sintonia, escolhendo ouvir a voz da América, BBC, Rádio Moscou, etc., do lugar onde estão sentadas. 

Mas quando digo que estou falando a partir das estações do poder Espiritual, se surpreendem e se tornam incrédulas, dizendo: “você está falando a partir de sua própria mente” e eu lhes digo: “nesse caso eu também não acredito que esta caixa esteja falando algo que venha de Washington, Londres, Moscou ou outro lugar distante. 

É impossível, fala por si mesma, em seu nome.”

Se eu pensasse assim, também seria muito tolo. 

Mas eles não são tolos acreditando que uma caixa possa falar transmitindo de estações distantes, enquanto negam que o Ser Humano, a coroa da criação (e também o criador dos rádios) possa falar de estações de poder Espiritual, que na verdade estão mais próximos de seu coração, mais próximo que sua veia jugular? 

Enquanto estava rezando, antes de começar nossa reunião, meu coração recebeu uma mensagem de meu Grand Sheykh, instruindo-me a falar-lhes sobre a importância do equilíbrio

Nosso criador, Deus Todo poderoso, mantém sua criação no mais sutil e perfeito equilíbrio, o qual podemos observar em todas as maravilhas naturais a nossa volta. 

Isso para nós é um sinal de seu poder e de sua sutil perfeição. 

O Santo Q’uram diz: “e devemos certamente lhes mostrar nossos sinais nos horizontes e em si mesmos, até que para eles se torne claro que esta é a verdade.” (Fussilat:53) 

Se a maravilha do perfeito equilíbrio da natureza é um sinal que Ele nos mostra nos horizontes, então qual é o sinal que Ele nos mostra em nós mesmos? 

Este é um grande sinal e nele será encontrado o significado de que Deus deu ao homem a responsabilidade sobre si mesmo e sobre suas ações. 

E nele também será encontrado o segredo de que Deus deu ao homem a possibilidade de alcançar altos graus de proximidade em relação à Divina Presença, através de seu atuar responsável. 

O sinal interno é igual à criação externa: a vida interior do homem é governada por um delicado e perfeito equilíbrio. 

Deus permite ao homem alcançar um alto nível dando-lhe a habilidade de manter sua vida interior equilibrada. 

Deus honrou o homem permitindo-lhe emular o atributo divino do equilíbrio (Qist) mantendo sua própria vida interior balanceada. 

Temos duas personalidades dentro de nós mesmos. 

A primeira pertence à alma, a segunda ao ser inferior. 

O equilíbrio apropriado é que o ego (ser inferior) siga a direção da alma, já que a alma conhece os caminhos dos poderes espirituais e o ego, liberado a si mesmo, só sabe pastar. 

O ego sempre é preguiçoso, egoísta e estúpido, mas quando alcança o equilíbrio segue a vontade da alma, é um companheiro útil, capaz de trabalhar. 

Agora, meus amados amigos, vocês devem saber que o mais importante em nossa vida espiritual é manter esse equilíbrio. 

Se este equilíbrio é perturbado não podemos fazer nada nem ir a lugar algum.

Quando os ocidentais despertarem para a necessidade da busca de equilíbrio para as suas vidas interiores atormentadas, eles descobrirão que devem buscar ajuda e guia dos povos do oriente. 

O sol nasce no “Este”. 

Em tudo o que possamos observar no mundo, encontraremos um fino equilíbrio do Todo poderoso. 

A vocês se presenteou o conhecimento prático e o avanço tecnológico. 

Os ocidentais estão suficientemente orgulhosos de sua tecnologia, mas agora estão necessitados dos orientais, os países do entardecer. 

Que Lhes tenha sido dado o conhecimento do mundo material, é um favor de Seu Senhor; mas seu equilíbrio é absolutamente justo: se Ele deu algo aos povos do ocidente, não deixaria de mãos vazias aos orientais. 

Os países ocidentais podem ser superpotências, mas os centros do poder espiritual permanecem no oriente. 

Se eu posso ajudar-lhes a conseguir aquilo que suas faculdades materiais não o podem ajudar, então sou um servidor Seu. 

Sou Seu servidor e servidor do meu Grand Sheykh - de ambos os lados sou servidor. 

Meu Grand Sheykh me pediu que os advirta sobre algumas armadilhas nas quais vocês podem cair em sua busca pelo descobrimento interior, no mundo oriental e entre sua gente. 

Em particular ele me pede que os advirta sobre os caminhos desequilibrados: os dois extremos em que as pessoas de nosso tempo estão entrando e saindo: resultado da ignorância. 

Os caminhos desequilibrados tem algo em comum, tanto ocorrem no tibet, na India, na Turquia, Egito, Meca, em qualquer lugar que os ocidentais atravessem. 

A sua marca distintiva é que eles têm uma multidão de seguidores, muitos milhões ao mesmo tempo, particularmente de ocidentais. 

Sim, poderá ver muitos armazéns no oriente com uma multidão do lado de fora, esperando para comprar seus produtos diários, mas também há joalherias às quais somente alguns compradores sérios vão a cada dia.

Sim, poderá ver nos supermercados uma enorme fila de pessoas comprando tomates e rações, mas vocês não encontrarão um fila na joalheria. 

Portanto, vocês não devem ser enganados pelo fato de uma pessoa ter milhões e milhões de seguidores. 

Antes, devem se fixar em observar o que essas pessoas estão vendendo e o que as pessoas estão comprando. 

Existem dois aspectos da natureza humana que fazem com que as pessoas corram atrás de homens de quem podem se beneficiar muito pouco ou nada. 

Em primeiro lugar, é parte da natureza humana querer parar e olhar onde está indo uma multidão. 

Portanto, quando ocidentais vão atrás de uma abertura espiritual em viagem através de países do oriente, eles vão atrás desses mestres que têm uma larga multidão os seguindo. 

Em segundo lugar, como seres humanos, é nossa natureza tomar o caminho da menor resistência – tomar o caminho mais fácil e evitar o esforço. 

Não há novas descobertas nesses caminhos comuns e as visões que existem ali, não são excepcionais, senão comuns. 

O caminho do menor esforço se encontra facilmente e é de pouco interesse – barato. 

Alguém pode encontrar muitos caracóis do mar lançados na praia. 

Pode caminhar sobre eles, sem sequer dar-se conta, ou se quiser, pode levar alguns para casa.

Mas, o que dizer das pérolas? 

Quem pode encontrá-las lançadas na praia? 

Uma vez que vocês sabem que as pérolas podem ser encontradas, vocês irão se contentar somente com os caracóis? 

Então, para os que pedem por caminhos fáceis: peguem seus caracóis e sigam. 

Se vocês se sentem temerosos e sem ar suficiente, não podem mergulhar por essas pérolas. 

Mergulhar por pérolas não é tão fácil, também existem tubarões em volta, cuidando das pérolas. 

Então, quem quer mergulhar? 

Ninguém quer mergulhar nessas circunstâncias, não, eles estão contentes em buscar caracóis. 

Peguem todos os que queiram, mas saibam que nunca encontrarão pérolas. 

Entre as pérolas existe uma variedade extremamente valiosa, que é a de cor rosa. 

Estas pérolas são as mais belas, mas tão raras que só são encontradas em palácios de imperadores. 

Quem pode encontrar estas pérolas e trazê-las à superfície? 

Muito poucos mergulhadores por pérolas já encontram alguma. 

Quanto mais os colecionadores de caracóis marinhos. 

Mas os mergulhadores que buscam pérolas rosas não se desanimam com os perigos do mergulho, nem com a improbabilidade de encontrar alguma vez a ambicionada pérola; já que se sabe que ainda que encontre apenas uma, ter-se-á encontrado um tesouro incalculável. 

Não importa se vocês entregam sua vida em busca da verdade.

Entreguem e obterão os frutos da vida eterna. 

Estas duas debilidades da natureza humana, chamadas: instinto de rebanho e o ativismo, nos fazem querer seguir sempre o caminho que não requer esforço, são as duas características que fazem com que muitos ocidentais sigam os caminhos desequilibrados que lhes são oferecidos por mestres orientais. 

O primeiro desses caminhos desequilibrados é o que atrai as multidões e oferece resultados rápidos, sem colocar o ser inferior sob nenhuma disciplina. 

Os que dirigem esses caminhos dizem a seus estudantes: “Oh meus estudantes, nunca devem se opor aos pedidos de seus egos. 

Tudo o que o ego exigir, devem buscar e provê-lo. 

Seus problemas se radicam na tentativa de reprimir seus egos – quando reprimem seus egos, reprimem suas almas. 

O ego é a alma e a alma é o ego. 

Vocês são pessoas evoluídas, então devem se deixar levar por si mesmos.

Disciplinas e regras são só para gente ignorante e fanática que estão só no nível da religiosidade comum: vocês devem transcender a religiosidade e dualidade do bem e do mal. 

O Todo é uno e o Uno é tudo, agora vão e façam o que queiram.” 

Este é o resumo do seu caminho, o caminho dos demagogos. 

Mas, aqueles que seguem esses caminhos nunca estão satisfeitos, porque quanto mais eles supostamente, “se deixam ir”, mais a alma é reprimida.

Com o ataque furioso dos desejos do ego, totalmente liberado e frenético buscando satisfação no mal sem inibição, a alma é “enterrada viva”, e grita: “o que? 

Sobre mim? 

Oh ser inferior, tu não és o que sou. 

Nem és meu representante. 

Tu realmente crês que estou me desenvolvendo, com tua indulgência e com esse jogo de depravação? 

Se estás reprimindo-me desta maneira, fazendo-me uma escrava de seus ditados, nunca haverá desenvolvimento espiritual.” 

Portanto, se uma pessoa dá livre curso ao seu ego, dizendo: “vai e faz o que queres”, nada pode ser feito por sua alma. 

A alma, ainda que não esteja poluída pela corrupção do ego, está fora de ação, presa num calabouço esperando que sejam ouvidos os seus pedidos. 

Qual é o benefício de seguir tal caminho? 

Vocês ocidentais já estão fartos dos prazeres dessa vida. 

Então, se vocês garantem mais liberdade para seus egos, fazendo-os saborear mais e mais e mais, apesar do fato de já estarem saturados, o que significa quando se diz que estão seguindo um caminho espiritual? 

Os seguidores destes caminhos são como pessoas que reclamam que seus pés estão acorrentados. 

Eles dizem que estão buscando alguém que lhes possa libertar, mas vão à pessoas que além das correntes, lhes colocam botas de ferro presas em seus tornozelos. 

Estas pessoas sedentas dizem: “tirem essas correntes de nós!” e seus guias dizem: “Não, devemos por lhes ainda mais.” 

Como poderemos ter êxito se continuamos seguindo os ditados de nosso ego e continuamos nos sobrecarregando com mais ataduras? 

Somos sérios ou estamos brincando? 

Saibam que quem quer que esteja buscando desenvolvimento espiritual e seu Mestre lhe fale que faça o que quiser, não encontrou um Mestre espiritual verdadeiro. 

Um verdadeiro Mestre não pode dizer aos seus estudantes: “façam o que quiserem.” 

Devemos ter disciplina se seriamente queremos alcançar nosso objetivo: se não há disciplina não há vitória. 

Esses guias estão enganando as pessoas e estão sendo enganados a si mesmos pelos seus egos. 

Este é o primeiro caminho espiritual desequilibrado. 

Ele é altamente procurado em nossos tempos e é o pior dos dois – o pior dos caminhos. 

É um caminho totalmente sem limites e nenhum bem pode chegar a vocês por meio dele. 

Se querem se enganar a si mesmos, vão em frente, mas devem saber que não irão a lugar nenhum sem disciplina. 

O segundo caminho desequilibrado inclina-se ao outro extremo. 

Os Mestres desses caminhos impõem cargas tão pesadas sobre os ombros das pessoas e condições tão difíceis que elas terminam se rebelando. 

Se vocês sobrecarregam um burro com uma carga acima do que tem capacidade de carregar, ele se retorcerá e sacudirá até que se liberte desta carga, ou simplesmente se sentará. 

E se não o faz, seguirá até que sua espinha se quebre e ele cairá morto.

Os que seguem tais caminhos não entendem os versos do Qu’ram: “Deus não impõe a nenhuma alma uma carga superior às suas forças.” (Suratu-ul-Bakarah: 286) 

Em nossos dias frequentemente encontramos estes dois caminhos desequilibrados. 

Vocês devem ser como uma pessoa que arrasta seu arado ou sua carroça por meio de dois cavalos de força equivalente; e vocês devem controlar os dois por meio de sua força e maestria. 

Isto significa que devemos ter equilíbrio entre os impulsos da alma e do ego por meio dos poderes espirituais, que nos foram outorgados por Nosso Senhor. 

Algumas vezes, nos países orientais, uma pessoa se encontra com outras arando seu campo com um arado puxado por um camelo de um lado e um burro do outro. 

Isto não é bom, é cruel, já que um é muito alto e o outro muito baixo, não podem trabalhar juntos. 

Ao invés de serem cruéis e tontos desta forma, devemos manter um equilíbrio: devemos manter a alma em sua posição, mas também outorgar ao ego seus direitos. 

Portanto, como estamos em um caminho espiritual, devemos nos preocupar em fortalecer a posição de nossa alma, que no momento está oprimida pelo ego. 

Devemos nos opor à ditadura do ego, de forma que conceda a permissão para que a alma cresça forte. 

Mas, devemos ter cuidado, porque se ameaçamos a parcela do ego para além do que ele pode tolerar, estamos o convidando a se rebelar e a nos tomar pela cabeça. 

Novamente se trata de uma questão de equilíbrio. 

Ambas partes de nós mesmos devem estar satisfeitas, já que somos seres espirituais vivendo uma vida física. 

Estamos vivendo neste mundo, devemos comer, beber e nos casarmos.

Estes são os direitos do ego, e se não o alimentamos, não nos levará adiante. 

Mas, quando o ego busca mais que isso, come o dia inteiro sem ir a lado algum – nossas almas devem negar-se dizendo: “Não, olha aqui, agora, tenho alguns direitos que deves reconhecer. 

Se comes tanto, nunca iremos a lado algum.” 

Se pudermos fazer com que os dois lados respeitem um ao outro, teremos encontrado o equilíbrio necessário para nossos propósitos. 

Nesse momento a alma pode avançar para seu objetivo, ao longo do caminho, que conhece muito bem, com o ego ao seu lado ajudando-a a realizar sua viagem e ela permitindo ao ego as concessões que necessita para realizar seu trabalho. 

Então, tudo pode acontecer suavemente. 

O que acabamos de descrever não é uma realidade desconhecida para nenhum de nós, já que todos vivemos sob as mesmas condições: todos temos um ser superior e um ser inferior. 

Portanto, qualquer um que queira progredir na via espiritual deve reconhecer a necessidade de exercer um firme controle sobre si mesmo.

Não permita que sua situação lhes saia tanto da mão que necessitem que alguém se meta para mantê-los sob controle. 

Se a pessoa pode tomar precauções que previnam uma enfermidade, seria bom que ela ignorasse essas precauções e permitisse a doença e ter que ir a um médico para tratamento? 

Isto tem sentido? 

O que é mais fácil: tomar simples medidas preventivas, ou se submeter a uma cirurgia dolorosa e perigosa? 

Devem sempre refletir sobre seu estado interior e sobre as ações que procedem dele, perguntando-se: Quem sou eu? 

Mas, além de fazer essa prática de auto exame, também devem consultar-se regularmente com um médico. 

Existe uma nova moda atualmente entre as pessoas, de ir uma vez ao mês a uma clínica para medir a pressão, ouvir as pulsações cardíacas e etc. 

Para aquelas pessoas que estão interessadas em checar sua “pressão sanguínea espiritual” e seus batimentos cardíacos regularmente, lhes daremos os instrumentos e o conhecimento necessário para se examinarem de forma efetiva. 

Então, aqueles que desejam um método de auto exame, devem saber que ele consiste em que conscientemente façam um acordo com as duas partes de si mesmos, para seguir certo caminho, da manhã, até a noite, que nos levará ao nosso objetivo diário. 

Pela manhã devem fazer sua intenção e à noite, depois de haver seguido por seu caminho por todo o dia, então vocês devem pedir-se conta de suas ações: “Estou como pretendia estar quando fiz minhas intenções pela manhã?” 

“Sou um pouco melhor do que quando comecei o dia?” 

“Alcancei o meu objetivo diário ou não?” 

Este método é um instrumento muito importante de auto exame e um pilar de nossa prática individual, um caminho que produz frutos e por meio do qual podemos nos manter limpos. 

Ao final do dia devem se perguntar: “Minhas ações do dia foram para mim ou contra mim, para meu benefício ou minha perda?” 

Eventualmente, se mantiverem essa prática, estarão em um estado de preparação interna. 

Então, alguém apertará seu botão e vocês sairão em uma viagem para o espaço da alma. 

Todos tem esse Universo privado. 

Quando se olharem internamente, encontrarão a si mesmos, com o mundo de vocês mesmos e em vocês mesmos. 

Ninguém mais pode entrar nesse universo. 

Ali as realidades da alma estão estabelecidas firmemente em um Universo mais vasto que toda a criação material. 

Quando hajam praticado fielmente este método de auto exame, o “técnico espiritual” estará inteirado de seu estado de preparação e serão lançados através de seus Universos. 

Então nunca mais serão prisioneiros nesse planeta. 

As pessoas podem viver em meio aos empurrões e agitação da alta pressão das cidades por um determinado período de tempo, mas ao final se encontram a si mesmos desesperados e devem escapar para espaços abertos. 

Mas, a maior expansão está em vocês mesmos, nesse Universo encontrarão liberdade real. 

Não se preocupem em encontrar a liberdade através dos meios políticos do governo, já que nunca serão livres até que tenham o controle interno de vocês mesmos em suas mãos. 

Estamos amarrados e confinados pelos desejos sem fim de nossos egos.

Não somos livres para nos mover em nenhuma direção que não seja a que nossos egos indicam. 

Todas as idas e vindas anunciam uma nova ordem a seguir, um novo capricho e hábito. 

Como podem ser livres sob essas condições? 

Todos os Profetas, desde Adão até o Profeta Muhammad, que a Paz esteja sobre todos Eles, vieram para ensinar às pessoas métodos para alcançar a liberdade contra a tirania do ego. 

Sim, podemos continuar expondo sobre isso importantes temas, mas vocês são pessoas que podem compreender o suficiente de nossas palestras, como para preencher muitos volumes. 

Por isso, vou deixar-lhes com vocês mesmos.

Estou ocupado comigo mesmo, como todos estão ocupados consigo mesmos. 

Cada um de nós está esperando o seu momento.



  

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O SUFISMO - Sabedoria - Pensamentos - Ensinamentos - Meditações



SUFISMO

O SUFI

O Sufismo (em Árabeتصوفtransl.: Tasawwuf; em Persaصوفی‌گریtransl.: Sufi gari) é conhecida como a Corrente Mística e Contemplativa do Islão.
Os praticantes do Sufismo, conhecidos como Sufis, procuram desenvolver uma relação íntima, direta e contínua com Deus, utilizando-se das práticas espirituais transmitidas pelo profeta Maomé, com destaque para o Zikr (a lembrança de Deus), orações e jejuns.
Também incorpora práticas, como Cânticos, Música e Movimentos, cuja legalidade é objeto de divergência de opinião entre teólogos e jurisprudentes islâmicos, de diversos países islâmicos, na interpretação da Sharia, a lei divina.
O Tasawwuf, palavra árabe que designa o Misticismo e Esoterismo Islâmicos, é conhecido no Ocidente como Sufismo.
Há duas correntes principais de entendimento Islâmico: o Sunismo e o Xiismo, sendo que o Sufismo é observado com mais vigor na corrente Sunita. 
As Ordens Sufis (Turuq) podem estar associadas ao Islão Sunita ou Xiita, pois não se trata de uma divisão dentro do Islão, mas sim a uma visão interior (Esotérica) da Vida e do Ser.
O Pensamento Sufi se fortaleceu no Médio Oriente no Século VIII e hoje encontra-se por todo o mundo.
Na Indonésia, assim como muitos outros países da Ásia, Oriente Médio e África,Islamismo foi introduzido através das Ordens Sufis.
Segundo a Filosofia Perene de René Guénon Frithjof Schuon, toda grande religião possui duas dimensões, a Exotérica e a Esotérica.
A primeira diz respeito à "Ação" e a segunda à "Contemplação"; a primeira às Leis e Ordenamentos Exteriores; a segunda, à Interioridade e à Mística.
O Sufismo é um ramo do conhecimento no Islão, que trata dos aspectos internos da prática e da ética religiosa.
Por aspectos internos, entenda-se o que se refere não somente às intenções, sentimentos e consciência, mas também aos aspectos mais intensos e profundos da espiritualidade, e em última instância ao coração.
Estar com Você...Sempre!


Etimologia
Uma das teorias para alguns autores é que a palavra Sufi é oriunda de Suf, que significa "Lã" em árabe.

Seus primeiros praticantes tinham por hábito vestir-se com lã, como forma de demonstrar a sua simplicidade, sendo provavelmente influenciados pelos ascetas cristãos da Síria e da Palestina.

A Lã possuía também uma conotação espiritual nos tempos pré-islâmicos.
A Origem deve ser procurada na palavra árabe Safa, que significa "Pureza".
Para os grandes estudiosos de linguística, estas palavras têm origem no Egípcio Antigo, já que o árabe é um idioma substancialmente de influência egípcia, onde o radical "SF" tem como significado "pureza".
A palavra SUFI é de origem substancialmente egípcia, mas isto não quer dizer que o sufismo seja egípcio, e sim que teve sua base lá, pois o Sufismo é atemporal, embora tenha conexões profundas com a sabedoria de todas as grandes culturas do passado, tais como: a egípcia, a celta, a persa e afins.
A forma como se conhece hoje mais divulgada é a da Ortodoxia Muçulmana e foi dada pela revelação recebida pelo profeta Maomé e estruturado no século XI de nossa era.
Sabemos que existem vários santos sufis muito anteriores a esta data, entretanto foi a partir do século XI que as escolas sufis começaram a se organizar como se apresentam nos modelos atuais.

SUFI - ESTAR EM SÍ


Sufi: A Flor do Oriente

Conhecido por muitos como o Misticismo do Islão, o Sufismo é uma filosofia de autoconhecimento e contato com o divino através de certas práticas as quais nem sempre seguem um padrão fixo e frequentemente parecem incompreensíveis a um observador que esteja fora do contexto de trabalho.
Estas práticas devem ser aplicadas por um professor.
Os Sufis acreditam que Deus é amoroso e o contato com ele pode ser alcançado pelos homens através de uma união mística, independente da religião praticada.
Por este conceito de Deus, foram, muitas vezes, acusados de blasfêmia e perseguidos pelos próprios muçulmanos esotéricos, pois contrariavam a ideia convencional de Deus.
Hallaj (século X), um dos grandes representantes do Sufismo, foi executado, pois ensinou, em estado de êxtase, que Deus e ele eram um; que havia atingido a identidade suprema.
Husayn ibn Mansur al-Hallaj
Husayn ibn Mansur al-Hallaj
Como o ideal do Sufismo era ascético, acreditavam que Jesus era tão importante quanto Maomé, que o Alcorão era tão essencial quanto a Bíblia ou a Torá.
Quase um século e meio depois, Ghazali, um dos maiores pensadores do mundo e seguidor Sufi, disseminava a ideia de que a Verdade Mística não pode ser aprendida, mas sim experimentada por meio do êxtase.
Imam Al GhazzaliAl-Ghazzali     
Al-Ghazzali

Para os Sufis Muçulmanos, a origem histórica da sua religiosidade pode ser encontrada nas práticas meditativas do profeta Maomé.
Este tinha por hábito refugiar-se nas cavernas das montanhas de Meca onde se dedicava à meditação e ao jejum.
Foi durante um desses retiros que Maomé recebeu a visita do Anjo Gabriel, que lhe comunicou a primeira revelação de Deus.
Encontramos seguidores desta corrente em todos os segmentos sociais: camponeses, donas de casa, advogados, comerciantes, professores.
Sua Filosofia Básica é: "Estar no mundo, mas não ser dele", livre da ambição, da cobiça, do orgulho intelectual, da cega obediência ao costume ou do respeitoso temor às pessoas de posição mais elevada.
O Caminho Sufi na história do homem

ESCRITA DIVINA NO CORAÇÃO DO DISCÍPULO
Deus como tendo sido escrito no coração do discípulo de acordo com a Qadri Al-Muntahifim.
O Sufismo Ortodoxo de influência Muçulmana pode ser dividido historicamente nos períodos antigo, clássico, medieval e moderno.
Um dos fatos marcantes do período clássico foi à Crucificação de Husayn ibn Mansur al-Hallaj, acusado de heresia, em 922, após declarar "Eu sou a verdade".
Foi na Época Medieval, entretanto, que os Sufis aprenderam a disfarçar em poesias complexas qualquer afirmação que pudesse ser considerada um desafio à crença do "Deus Único".
Assim, só mesmo os esclarecidos podiam decifrá-las.
Durante a Idade MédiaAbu Hamid al-Ghazzali (1059-1111) afastou-se da vida mundana para empreender uma busca por Deus.
Seus Escritos ajudaram a combinar os aspectos heréticos do Sufismo com o Islamismo Ortodoxo.
Em números, os Sufis atingiram o auge na Era Moderna, entre 1550 e 1800.
Hoje o Sufismo é, muitas vezes, praticado em segredo nos Países Muçulmanos, enquanto na Índia e em muitos países do Ocidente ele comanda um fiel grupo de seguidores.

Ordens Sufis

Sufismo-2

As Autênticas Ordens Sufis são reconhecidas por estarem vinculadas ao Islão, e por terem documentada sua linhagem, na cadeia de mestres que as conecta com o profeta Maomé.

Palavras SagradasMantras para Meditação

– La ilaha illa Allah (Só existe um Único Deus)

Bismillahi r-Rahmani r-Rahim - (Em nome de Deus, o Misericordioso e o Compassivo - uso mais só o Bismillah - Em nome de Deus).

Hasbun Allah wa ni‘mal wakil – (3) = Hasbun Allah (Deus nos é suficiente).

Ya Latif – (Venha o Sútil)

Hay – (O Eterno)

Hu – (Ele)

Haqq – (A Verdade)

Ahad – (Único)

 - SubhanAllah – (Glorificado seja Deus)

- Alhamdulillah – (Louvado seja Deus)

- Astaghfirullah – (Perdão Deus)


Islam Sufi: o que você precisa saber

O Sufismo é uma forma mística e ascética do Islamismo praticada por dezenas de milhões de muçulmanos.
ISLAM - O SUFISMO

O que é o Sufismo? RESUMO

O Sufismo é um islático místico e ascético praticado por dezenas de milhões de muçulmanos. 
Conhecido como "Tasawwuf" no mundo muçulmano, no Ocidente é muitas vezes erroneamente considerado como uma seita separada.
O Sufismo é mais proeminente entre os Sunitas, mas também há Ordens Sufis Xiitas, ou "Tariqa".
Os Seguidores do Sufismo acreditam que podem se aproximar de Deus através da purificação interior e da introspecção. 
Eles fazem isso meditando e recebendo orientação de seus líderes espirituais, ou "Murshid" (guia).
Os Adeptos do Sufismo seguem os cinco pilares do Islã, assim como outros muçulmanos praticantes. 
Eles declaram fé em Deus e Maomé como seu mensageiro, rezam cinco vezes ao dia, dão à caridade e realizam a peregrinação do Hajj a Meca. 
Timothy Winter, estudioso islâmico na Universidade de Cambridge, descreve o Sufismo como "uma ampla tendência devocional".
"Não há práticas ou crenças características de todos os Sufis. 
É muito diversificado para isso".
A mais conhecida "Tariqa" no mundo ocidental é a Ordem Mevlevi, fundada pelos seguidores do Poeta Persa do século 13, Rumi místico após sua morte na cidade turca de Konya.
Maulana Jalaluddin Rumi (30 September 1207 – 17 December 1273)
 Maulana Jalaluddin Rumi (30 September 1207 – 17 December 1273)

A Ordem Mevlevi realiza a prática Sufí de "Dhikr" em uma cerimônia musical e dança, dando-lhes o apelido de "Derviches Giratórios".
DANÇA SUFI -DERVICHES
DANÇA SUFI -DERVICHES
DANÇA SUFI - DERVICHES

Ordem Mevlevi.
Ordem Mevlevi.
Os Derviches Giratórios realizam a Cerimônia Sema em Istambul.

Dhikr é uma prática central no Sufismo, pelo qual os adeptos recitam versos divinos e entram no nome de Deus. 
Pode ser executado individualmente ou em grupo, e pode ser silencioso ou alto. 
As práticas de Dhikr variam consoante os pedidos Sufi.

"O Sufismo proporciona Alegria na Vida"

O Sheik Esref Efendi, Chefe Espiritual do Centro Sufí com sede em Alemanha Rabbaniya, que faz parte da Ordem Naqshbandi:

Sheikh Eşref Efendi

Sheikh Eşref Efendi
"Os Sufis são Muçulmanos e vivem o Islã na perfeição com Corpo e Alma.

O Corpo do Islã é a Sharia, a Lei e a Alma do Islã é o Sufismo, a espiritualidade.

Para os Sufis, a Sharia é indispensável, porque a Lei fornece Ordem na Vida e o Sufismo fornece para a alegria na vida.

A lembrança diária de Deus no dhikr e as diferentes formas de meditação na comunidade, fortalecem o sentimento consciente de proximidade com Deus e a caridade para o outro ".

"Os Sufis aderem à tradição do profeta de amar todas as criaturas por causa do amor do Criador.

Assim, eles negligenciam os erros e defeitos das pessoas que encontram e apenas olham a luz de Deus nelas.

Ao reconhecer a luz de Deus, os Sufis praticam o perdão dos erros do homem ".

Origens

O Sufismo se originou após a morte de Maomé em 632, mas não se transformou em ordens até o século 12. 
PROFETA MAOMÉ
PROFETA MAOMÉ

As Ordens foram formadas em torno de Fundadores Espirituais, que ganharam status de santo e santuários construídos em seus nomes. 
Há dezenas de ordens e ramos Sufi.

O Sufismo se espalhou por todo o mundo muçulmano, tornando-se um componente central da prática religiosa de muitos povos da Indonésia e do Sul da Ásia para a África e os Balcãs.

As Ordens Sufis eram às vezes próximas dos poderes governantes, como o Império Otomano, ajudando a sua disseminação e influência.
  
À medida que se espalhava, muitas vezes se adaptaram e incorporaram crenças e costumes locais que a tornaram popular, mas mais tarde tornaram-se a ser vistos por grupos extremistas islâmicos como heréticos.
Túmulo do Santo Sufis do século XIII -  Shah Rukn-e Alam em Multan, no Paquistão.
Túmulo do Santo Sufis do século XIII -  Shah Rukn-e Alam em Multan, no Paquistão.

Salafismo e Wahhabism

O Século XVIII viu o surgimento de uma nova ideologia e movimento islâmico puritano na península árabe que mais tarde daria à luz grupos violentos extremistas como a Al-Qaeda e a IS.

O Wahhabismo procurou purgar o islamismo sunita de acréscimos e inovações, como a prática sufista generalizada de venerar santos e visitar túmulos e santuários.

O objetivo era criar um Islã "puro".

O Movimento Wahhabi aliou-se à Casa de Saud, que finalmente estabeleceu o Reino da Arábia Saudita em 1932.

A partir da década de 1960, a riqueza do petróleo do Arábico e do Golfo Árabe ajudou a impulsionar a expansão global da ideologia do Wahhabismo, que muitas vezes é associada ao Salafismo de linha dura.

Os Jihadistas Salafistas têm dirigido repetidamente os Sufis, julgando-os hereges. 
Eles também visaram Cristãos, Xiitas e outros que eles consideram apóstatas.

Os Militantes da Al-Qaeda ligados em 2012 destruíram os antigos santuários Sufís em Timbuktu, Mali, atrapalhando a condenação internacional.

Mas isso levou a ideologia violenta Jihadista ainda mais.

Durante séculos, a maioria do mundo muçulmano aceitou o Sufismo, uma posição que tem sido apoiada por líderes universitários e centros de aprendizagem muçulmanos sunitas.

"As disputas atuais no Oriente Médio não são realmente entre o" Sufismo "e o" Extremismo ", mas entre o Wahhabismo e tudo mais", o Grande Islão Sunita defende a Tolerância e a Paz.

Como Sheikh Esref Efendi explica, IS apenas vê violações percebidas dentro do Islã e "não as pessoas e a luz nas pessoas, e, portanto, chamam os Trafatos de Sufis do Islã".

"É pensado que qualquer erro deve ser punido.

Eles pensam e comprometem mesmo o maior pecado do Islã: declaram-se deuses que podem decidir sobre a vida e a morte e usar a violência para matar".

O que é o Sufismo (Resumo)

O Sufismo é uma Vertente Mística existente dentro do Islamismo.
Baseia-se na ideia de que o Espírito Humano é uma emanação do Espírito Divino.

Para essa vertente, um Sufi deve buscar a Reintegração com o Divino através do Canto e da Dança.

Os Muçulmanos que seguem essa prática procuram atingir uma experiência pessoal direta de Deus.

Os Sufis, em muitos países islâmicos, são considerados hereges por aqueles que seguem o Alcorão de uma forma mais rígida, como é o caso da Arábia Saudita.

Por ser uma dimensão do Islamismo, as Ordens Sufis, chamadas em árabe de Tariqas, estão presentes entre Sunitas, Xiitas e outros Grupos Islâmicos.

Segundo Ibn Khaldun (1332-1406), um Sufi deve dedicar-se totalmente a Alá.

Ibn Khaldun
Ibn Khaldun

Não deve se preocupar com Coisas Mundanas e deve se abster de procurar o prazer, a riqueza e o prestígio, como faz a maioria dos homens.

Os Sufistas dão muita importância para aquilo que aprendem com professores, ou seja, sua visão do Islã não é voltada exclusivamente para o livro sagrado.

Membros de Ordens Tariqas se dizem capazes de rastrear a “Árvore Genealógica” de seus professores até o profeta Maomé.

Esse Grupo de Místicos é um dos principais responsáveis pela produção Cultural dentro do Islã.

Escritores como Omar Khayyam (1048-1131), Al-Ghazali (1058-1111) e Rumi (1207-1273) são importantes dentro e fora do mundo árabe.

Muitos de seus textos foram citados por Filósofos Ocidentais, escritores e teólogos.

 A Ordem Naqshbandi

A Tariqah Naqshbandi ( do persa : نقشبندی ) ou Naqshbandiyah ( árabe : نقشبندية ) é uma importante Ordem Espiritual Sufi dentre os Muçulmanos Sunitas.

De acordo com algumas estimativas, existem mais de sessenta milhões de discípulos e centros em quase todos os países do mundo.

Também possui a maior presença ativa de difusão na internet.

 Existem discípulos em quase toda a Europa, incluindo o Reino Unido, a Alemanha e a França, e nos Estados Unidos da América, Oriente Médio, África, Índia, China, Japão, Austrália, Nova Zelândia, América Latina, etc.

Sendo mais ativos na Indonésia, Malásia, Sri Lanka e Paquistão.

Além de ser a Ordem Sufi mais prevalente no Ocidente.
                                                                                 
O Príncipe da Malásia, Raja Ashman Shah foi um discípulo desta ordem.

Raja Ashman Shah
Raja Ashman Shah

Sheykh Muhammad Nazim al-Haqqani (1922-2014), fundador da ramificação “Haqqani” da Ordem Naqshbandi, e seu mais influente e popular difusor em tempos atuais, principalmente no Ocidente.

Sheykh Muhammad Nazim al-Haqqani (1922-2014)
Sheykh Muhammad Nazim al-Haqqani (1922-2014)

A Ordem foi fundada pelo Sheykh Baha-ud-Din Naqshband al-Bukhari e traça sua linhagem espiritual ao profeta Muhammad, através de Abu Bakr, companheiro do Profeta e primeiro califa.
                                   
O Sheykh Baha-ud-Din nasceu em 18 de março de 1318 (14 de Muharram de 718 no calendário islâmico) na Aldeia de Qasr-i-Hinduvan (mais tarde renomeada Qasr-i Arifan) perto de Bukhara, no que é agora o Uzbequistão e foi lá que ele morreu e foi enterrado em 1389 (791).

Bahauddin-Naqsaband - 2
 Baha-ud-Din Naqshband Bukhari

Mausoléu de Bahauddin Naqshband em Bukhara
Mausoléu de Bahauddin Naqshband em Bukhara


Em 1544, (951) Khan Abd al-Aziz construiu sobre seu túmulo um mausoléu e os edifícios circundantes.

O Complexo Memorial está localizado a 12 km de Bukhara e é hoje um lugar de peregrinação.

Baha -ud-Din entrou em contato precoce com o Khwajagan (lit: os mestres), e foi adotado como filho espiritual por um deles, Baba Muhammad Sammasi, enquanto ainda era um bebê.

Sammasi foi seu primeiro guia no Sufismo, e mais importante foi seu relacionamento com o principal sucessor (khalifa) de Sammasi Amir Kulal, o último elo na Silsila , ou cadeia de professores, antes de Baha-ud-Din.

A Ordem de Naqshbandi deve muitas de suas práticas a Yusuf Hamdani e Abdul Khaliq Gajadwani do século 12, sendo este último é responsável pela prática da invocação puramente silenciosa da ordem.

YUSUF HAMDANI
YUSUF HAMDANI

Abdul Khaliq Gajadwani
Abdul Khaliq Gajadwani



Foi mais tarde associado com Baha-ud-Din Naqshband Bukhari no século 14, daí o nome da ordem.

A Ordem às vezes é referida como “O Sublime Caminho Sufi” e “O Caminho da Cadeia Dourada”.

O Nome da Ordem mudou ao longo dos anos.

Referindo-se a Abu Bakr as-Siddiq, originalmente foi chamado de “as-Siddiqiyya”; Entre o tempo de Bayazid al-Bistami e Abdul Khaliq al-Ghujdawani de “At-Tayfuriyya”; Desde o tempo de ‘Abdul Khaliq al-Ghujdawani para Shah Naqshband o”Khwajagan” ou “Hodja”; Da época de Shah Naqshband em diante de “An-Naqshbandiyya”.

A medida que a ordem era passada para os ensinamentos de um mestre, era acionado um nome de ramificação.

De “Ubeydullah Ahrar para Imam Rabbani , o caminho era chamado” Naqshbandiyya-Ahrariyya “; De Imam Rabbani para Shamsuddin Mazhar “Naqshbandiyya-Mujaddadiyya”; De Shamsuddin Mazhar a Mawlana Khalid al-Baghdadi “Naqshbandiyya-Mazhariyya”; De Mawlana Khalid em frente ” Naqshbandiyya-Khalidiyya ” e assim por diante.

Atualmente a ramificação mais importante da ordem é a que foi recentemente comandada pelo Sheykh Sultan ul-Awliya Moulana Sheikh Nazim (falecido em 2014) e a mais ativa de todas as ramificações Naqshbandis com seguidores em quase todos os cantos do mundo.


Mawlana Shaykh Nazim (Mestre Sufi da Ordem Naqshbandi)
Mawlana Shaykh Nazim (Grande Mestre Sufi da Ordem Naqshbandi)

Sheykh Muhammad Nazim al-Haqqani (1922-2014)
Sheykh Muhammad Nazim al-Haqqani (1922-2014)


É referida como a via ” Naqshbandi-Haqqani ” ou “Nazimiyyah”.

Cadeia dourada da Ordem Naqshbandi-Haqqani

De acordo com a Ordem Naqshbandi esta é a ordem de sucessão da Tariqah desde o profeta até o atual líder, totalizando quarenta e uma pessoas pelas quais foram transmitidos os seus ensinamentos:

1.O Profeta Muhammad (570/571 – 632 CE)
2. Abu Bakr as-Siddiq,
3. Salman al-Farsi ,
4. Qasim ibn Muhammad ibn Abu Bakr ,
5. Jafar as-Sadiq ,
6. Tayfur Abu Yazid al-Bistami ,
7. Abu’l-Hassan Ali al-Kharaqani ,
8. Abu Ali al-Farmadi,
9. Abu Yaqub Yusuf al-Hamadani ,
10. Abu’l-Abbas, al- Khidr ,
11. Abdul Khaliq al-Gajadwani ,
12. Arif ar-Riwakri,
13. Khwaja Mahmoud al-Anjir al-Faghnawi,
14. Ali ar-Ramitani,
15. Muhammad Baba as-Samasi,
16. Como-Sayyid Amir Kulal ,
17. Imam at-Tariqah Muhammad Baha’uddin Shah Naqshband ,
18. Ala’uddin al-Bukhari al-Attar,
19. Yaqub al-Charkhi,
20. Ubaydullah al-Ahrar,
21. Muhammad az-Zahid,
22. Darwish Muhammad,
23. Muhammad Khwaja al-Amkanaki,
24. Muhammad al-Baqi bi-l-Lah ,
25. Mujaddid Alf ath-Thani Ahmad al-Faruqi as-Sirhindi ,
26. Muhammad al-Masum,
27. Muhammad Sayfuddin al-Faruqi al-Mujaddidi,
28. Como-Sayyid Nur Muhammad al-Badawani,
29. Shaheed Mirza Mazhar Jan-e-Janaan , Shams-ud-Dīn Habīb Allāh,
30. Shah Abdullah ad-Dahlawi
31. Shaykh Khalid al-Baghdadi ,
32. Shaykh Ismail Muhammad ash-Shirwani,
33. Shaykh Khas Muhammad Shirwani,
34. Shaykh Muhammad Effendi al-Yaraghi,
35. Sayyid Jamaluddin al-Ghumuqi al-Husayni,
36. Shaykh Abu Ahmad as-Sughuri,
37. Shaykh Abu Muhammad al-Madani,
38. Shaykh Sharafuddin Daghestani,
39. Shaykh Abdullah al-Fa’iz ad-Daghestani ,
40. Mawlana Shaykh Nazim Al-Haqqani
41. Mawlana Shaykh Mehmet_Adil

Práticas da Ordem

Os Critérios de um Sheykh:

Para ser Sheykh da Tariqa é necessário cumprir alguns critérios, dentre eles:

·         Cumprir a Lei Sagrada (Shariah).
·         Ele deve ser Conhecedor.
·         Não pode haver Sufismo sem Conhecimento.
·         A Fidelidade espiritual é dada abertamente e regularmente ao Líder da Ordem.
·         Eles aceitam a Interação com outros discípulos da ordem.
·         Eles não aceitam a certificação pessoal de autoridade espiritual vindas de pessoas mortas, através de sonhos, ou de uma experiência espiritual especial (Rawhani).

·         Há exceções a esta regra de acordo com o conceito de transmissão de Uwaisi em que alguém que viveu antes pode treinar e transmitir conhecimento a alguém que veio mais tarde.

·         Eles apenas aceitam a certificação pessoal escrita na presença de testemunhas.

11 Ensinamentos principais:

Conhecidos como os Onze Princípios Naqshbandi , os oito primeiros foram formulados por Abdul Khaliq Gajadwani , e os últimos três foram adicionados por Baha-ud-Din Naqshband Bukhari:

·         Recordação (Yad kard – Persa: یاد کرد): a constante repetição oral e mental do dhikr.

·         Restrição (Baz Gasht – Persa: بازگشت): a repetição no coração da frase al-kalimat at-tayyiba – “La-ilaha il-allah muhammadur rasul-allah” (“Não há divindade além de Allah, e Muhammad é seu mensageiro”).

·         Vigilância (Nigah Dasht – Persa: نگاه داشت): Ser consciencioso sobre os pensamentos errantes ao repetir al-kalimat at-tayyiba.

·         Recolhimento (Yad Dasht – Persa: ياد داشت): Concentração sobre a presença Divina em condição de dhawq, antecipação ou percepção intuitiva, não usando auxílios externos.

·         Consciência durante a respiração (Hosh dar Dam – Persa: هوش در دم): Controlar a respiração por não exalar ou inalar no esquecimento do Divino.

·         Viagem interna (Safar dar Watan): uma jornada interior que move a pessoa de culpa a propriedades louváveis.

·         Isso também é referido como a Visão ou Revelação do Lado Oculto Dashahada (Testemunho de Fé).
                                                                          
·         Atenção aos Passos (Nazar bar Gadam): Não se distraia do propósito da jornada final.

·         Solidão em uma Multidão (Khalwat dar Anjuman): Embora a viagem seja externa neste mundo, é interiormente com Deus.
·         Pausa Temporal (Wuquf-I Zamani): manter a conta de como se gasta seu tempo. Se o tempo for gasto de maneira correta, agradeça e o tempo for gasto de forma incorreta, peça perdão.
·         Pausa Numérica (Wuquf-I Adadi): Verificar se o dhikr foi repetido em números ímpares.
·         Pausa Cardíaca (Wuquf-I Galbi): formar uma imagem mental do coração com o nome de Deus gravado para enfatizar que o coração não tem consciência ou objetivo além de Deus.

Tipos de Concentração

·         Muraqaba 

Muraqaba é conhecida como Comunhão Espiritual.

Nesta prática, tenta-se revelar a realidade da vida esquecendo-se de si.

Imagina-se seus batimentos cardíacos chamando o nome do Todo-Poderoso.

Acredita-se muito que seja verdade que nosso coração clama por Allah com cada batida.

Mas por serem cobertos pelos nossos pecados, os batimentos cardíacos são ouvidos como ”Tum Tum” e não ”Allah Allah”.

A Muraqaba é feita sentando-se em um lugar solitário com os olhos fechados e mantendo uma posição calma.

Imaginando os olhos exteriores fechados e os olhos interiores abertos, (Zahiri aankhen band krke batini aankhain kholiye)

E imaginando seu coração clamando por Allah, tentando ouvir a palavra ‘Allah’ em todos os batimentos cardíacos.


·         Tawajjuh

Tawajjuh é derivado de Wajh (face) e significa Confronto.

É usado em relação ao ato de por-se diante do ponto de adoração durante a oração ritual.

Conhecer a direção da adoração incumbe ao Mestre Sufí que é a porta de entrada para Deus.

Para os desinformados e ignorantes, o Sheykh é muitas vezes o ponto de adoração.

O Objetivo é que o adorador purifique seu coração nublado de modo que seja puro o suficiente para que Deus se reflita nele.

Ao redor do mundo a ordem tem sido muito influente, na Índia tornou-se um fator importante na vida indo-muçulmana e por dois séculos foi à principal ordem espiritual do subcontinente.

Muhammad Baqi Billah Berang (o mestre de número 24 na sucessão espiritual) é creditado por trazer a ordem para a Índia no final do século XVI.

Ele nasceu e cresceu em Cabul no Afeganistão, partindo para continuar seus estudos em Samarcanda, onde entrou em contato com a ordem Naqshbandiyya através de Hazrat Khawaja Amkangi.

Ao retornar a Índia, tentou difundir seu conhecimento sobre a ordem, mas morreu três anos depois.

Entre os seus discípulos estavam o Sheykh Ahmad Sirhindi (1564–1624) e o Sheykh Abdul Haq de Deli.

Após sua morte, seu aluno, o Sheykh Ahmad assumiu a liderança.

Ahmad nasceu em 1564 e seu pai, Makhdum Abdul Ahad, era membro de uma influente ordem sufi.

Ele completou seus estudos religiosos e seculares aos 17 anos de idade.

Mais tarde, se tornou conhecido como Mujaddad-i-Alf-i-Thani. 

Foi através dele que a ordem ganhou popularidade em um curto período de tempo.

O Sheykh Ahmad rompeu com as Tradições Místicas anteriores e propôs sua Teoria da Unidade do Mundo Fenomenal.

Sheykh Ahmad Sirhindi (1564–1624)
Sheykh Ahmad Sirhindi (1564–1624)


Em particular, falou contra inovações introduzidas por alguns Sufis.

Ele se opôs aos pontos de vista do Imperador Mughal Akbar sobre os casamentos de Hindus com Muçulmanos.

Ele afirmou: “Os Muçulmanos devem seguir sua religião e os não-Muçulmanos os seus caminhos, como o Alcorão exige: “Para você sua religião e para mim minha religião “.

Após sua morte, seu trabalho foi continuado por seus filhos e descendentes.

No Século 18, Shah Wali Allah (1703-1762) desempenhou um papel importante nas Ciências Religiosas, particularmente com relação aos Hadith (ditos do profeta) e traduziu o Alcorão para o persa.

Ele também analisou uma nova Interpretação dos Ensinamentos Islâmicos à luz dos problemas enfrentados pelos Muçulmanos.

A Ordem Naqshbandiyya foi introduzida na Síria no final do Século 17 por Murad Ali al-Bukhari, que foi iniciado na Índia.

Mais tarde, ele estabeleceu-se em Damasco, mas viajou por toda a Arábia.

Seu ramo ficou conhecido como Muradiyya.

Após sua morte em 1720, seus descendentes formaram a Família Muradi de estudiosos e Sheykhs que continuaram a liderar os Muradiyya.

De 1820 em diante, Khalid Shahrazuri se tornou o proeminente Líder Naqshbandi no mundo Otomano.

Após a morte de Khalid em 1827, sua ramificação da Ordem Naqshbandi tornou-se conhecida como khalidiyya , que continuou a se espalhar por pelo menos duas décadas.

Na Síria e no Líbano, os Líderes de todos os Grupos Ativos da Naqshbandiyya reconheceram sua Linhagem Espiritual , que manteve o Caminho Original da Ordem.

Sheykh Abdullah Fa’izi ad-Daghestani(1891-1973)
Sheykh Abdullah Fa’izi ad-Daghestani(1891-1973)

Na Eurásia, Sheykh Abdullah Fa’izi ad-Daghestani (1891 – 1973) mesmo tendo sua origem no Daguestão russo através de Muhammad al-Madani, o Sucessor de Abu Ahmad as-Sughuri foi o principal Líder Naqshabandi na Síria sendo sua ramificação ainda muito ativa.

Durante meados do século 19, o Egito era largamente habitado e controlado por membros da Ordem Naqshbandi.

Um importante Centro da Ordem foi construído em 1851 por Abbas I, que fez isso em favor ao Sheykh Ahmad Ashiq.

Ahmad Ashiq encabeçou a ordem até sua morte em 1883.

Ahmad Ashiq era praticante do Ramo Diya’iyya da Khalidiyya .

Em 1876, o Xeque Juda Ibrahim alterou a Diya’iyya original, que se tornou conhecida como Al-Judiyya, e ganhou um seguimento na província de Al-Sharqiyya, no Delta do Nilo oriental.

Durante as últimas duas décadas do século XIX, outras duas versões da Naqshbandiyya se espalharam no Egito.

Uma delas foi introduzida por um sudanês, Al-Sharif Isma’il al-Sinnari.

Al-Sinnari era Iniciado na khalidiyya e Mujaddidiyya por vários Xeques durante seu tempo em Meca e Medina.

Inicialmente, ele tentou obter um seguimento no Cairo, mas não conseguiu, portanto dirigiu-se ao Sudão.
É a partir daí que a Ordem se espalhou para o Alto Egito a partir de 1870 em diante sob Musa Mu’awwad, que era o sucessor de Al-Sinnari.
Muhaamad al-Laythi, filho de Al-Sinnari, foi o sucessor após a morte de Mu’awwad.
Os Ramos Judiyya e Khalidiyya se espalharam nas últimas décadas do Século XIX e continuaram a crescer e ainda estão ativos hoje.

A Khalidiyya de Muhammad Amin al-Kurdi passou a ser liderada por seu filho Najm ad-Din.


Os Judiyya dividiram-se em três ramos principais: um liderado pelo filho do fundador Isa, outro liderado por Iliwa Atiyya no Cairo e outro liderado por Judah Muhammad Abu’l-Yazid al-Hahdi em Tanta.

Ma Laichi (1681 – 1766) trouxe a Ordem Naqshbandi para a China, criando Menhuan (ramificação) khufiyya (خفيه) 夫耶

Quase no mesmo período, a Ordem também foi trazida por Ma Mingxin (1719-1781), criando a ramificação  Jahriyya (جهرية) 哲赫林耶.

Estas duas ramificações tornaram-se Rivais e lutaram umas contra as outras, o que levou à Rebelião Jahriyya de 1781 e a Revolta Dungan (de 1895).

Alguns Generais Muçulmanos Chineses pertenciam a Ordem Sufi Naqshbandi, incluindo Ma Zhan’ao e Ma Anliang da ramificação khufiyya.

Ma Shaowu e Ma Yuanzhang foram outros Líderes proeminentes da ramificação Jahriyya.

Desde o ano de 2014 Tariqah (Ordem) Naqshbandiyyah é comandada por Mawlana Sheykh Mehmet Adil filho e sucessor de Mawlana Shyekh Nazim Al Haqqani falecido em 2014.

Tendo seus discípulos orientados nos EUA pelo Sheykh Hisham Kabbani.


SUFISMO NO BRASIL

SUFISMO NO BRASIL
SUFISMO NO BRASIL

Nós sabemos hoje em dia que o Islam está dividido em várias escolas, seitas, etc., porem também sabemos que várias destas somente existem hoje em dia no Oriente Médio, mas também sabemos que algumas delas chegaram ao Brasil, devido a imigração e hoje uma das que mais cresce em território tupiniquim é o Sufismo.

O Sufismo é identificado como “a Corrente Mística e Contemplativa do Islam”.

Seus praticantes são conhecidos por seus rituais que envolvem danças em roda, cânticos e músicas regadas aos sons de tambores.

A palavra “Sufismo” vem do árabe “Suf” que significa “Lã Rústica”, e hoje a idéia de Sufismo é atribuída a qualquer muçulmano, podendo sunitas ou xiitas serem Sufistas.

Porem como o Sufismo cresceu muito no Brasil, há muitos Sufis que se dizem serem Sufis mas não são muçulmanos, o que para os Sufis do Oriente Médio é considerado como blasfêmia, já que os dois estão intimamente ligados de acordo com sua Fé.
Hoje em dia existem mais de 300 Ordens Sufis, muitas delas presentes no Brasil.

O Sufismo no Brasil foi disseminado principalmente pelos Turcos que emigraram para o Brasil, e hoje estão presentes em várias cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba.

Alguns Templos Sufis já foram construídos em território nacional e as ordens continuam a crescer.

Hoje em dia é dito que existem mais de 300 mil Sufis em todo o Brasil e o número só tende a aumentar.

A Ordem Sufi Naqshbandi-Haqqani - BRASIL

Zikr

Esta Tradicional Prática Sufi, cujo nome significa “Lembrança” em árabe, é uma forma de Meditação que envolve Mantras, Respiração e Cantos Devocionais.

Tem o Poder de Conduzir o Buscador desde o Estado Anestesiado de Consciência Cotidiana até o contato com sua Essência Atemporal, abrindo-lhe as portas para as Realidades Superiores.

Quando os Dervixes se reúnem para recitar os Mais Belos Nomes, o Altíssimo lhes direciona sua Mirada.

A DANÇA DA ALMA
A DANÇA DA ALMA


Em Seu Olhar vislumbram a Paz tanto almejada.

Em Sua Luz, o Alimento do Coração.


Sufi Naqshbandi Haqqani Curitiba


https://naqshbandicwb.wixsite.com/curitiba

SUFISMO MANDALA
                                                                @NaqshbandiCuritiba

Sufi Naqshbandi Haqqani Curitiba
Sufi Naqshbandi Haqqani Curitiba

Sufi Naqshbandi Haqqani Curitiba-2
Sufi Naqshbandi Haqqani Curitiba


Sufismo: o Esoterismo Islâmico


A Sabedoria dos Sufis: Os Místicos do Islã -  Sheikh Ahmad Shakir

A Mística Sufi de Gurdjieff

Pensamentos do Sufi

História - Cultura - Obras Literárias

Eneagrama Sufi

ENEAGRAMA SUFI-2




ENEAGRAMA SUFI-1

An Introduction to the Mystical Tradition of IslamENEAGRAMA SUFI - Abdul Karim Baudino
                                                A Mensagem Sufi de Hazrat Inayat Khan
CONTOS SUFIS DE NASRUDÍN
As Enfermidades da Alma e seus Remédios - Psicologia Sufi 

BENÇÃO SUFI

IBN ʿARABĪ (1165-1240)
Histórias da Tradição Sufi
Livro O Caminho Do Buscador Omar Ali-Shah
Imam Al Ghazzali 

O CORACAO DO SUFISMO-1
Livro A Tradição Sufi No Ocidente Omar Ali-Shah 

Filme Sufi - Life of Pi (2012) Ang Lee

Medicina Natural Sufi (Shaykh Nazim Al Haqqani an Naqshbandi)Livro Rumi  -  MASNAVI                                  
Regras Ou Segredos Da Ordem NaqshbandiOs Sufis - Idries Shah                   
PENSAMENTO RUMI-1

Sheikh Adnan Kabbani
Rumi - A Dança da Alma     

RUMI - Na verdade, somos uma só alma, tu e eu

A DANÇA DA ALMA

Shaykh Hassan Dyck é um músico, um gnóstico, um exemplo vivo e verdadeiro da mística Sufi e da sua tradição.

SUFI MÍSTICO-1


Sufism, Healing Rituals and Spirits in the Muslim WorldTeachings of SufismSIMBOLISMO SUFI-III

SUFISMO NO BRASIL
SUFISMO NO BRASIL


Sufi Naqshbandi Haqqani Curitiba



                                                      SUFISMO MANDALA
GRUPO ESTUDOS E MEDITAÇÃO SUFI - ( ZIKER ) - CURITIBA - PR.
GRUPO ESTUDOS E MEDITAÇÃO SUFI - ( ZIKER ) - CURITIBA - PR.

MEDITAÇÃO SUFI ( ZIKER ) -CURITIBA - PR.
MEDITAÇÃO SUFI ( ZIKER ) -CURITIBA - PR.

Ziker 

É a "Meditação Sufi". 

Nela você poderá ser transportado(a) à sua essência, chegando a sentir de maneira intensa um contato com a Divina Presença!

Shaykh Ahmad Shakir
Shaykh Ahmad Shakir


ABDUL QADR
ABDUL QADR

                                    Sufi Naqshbandi Haqqani Curitiba